O teatro foi conduzido por membros da Pastoral da Acolhida, Shai Jovem e Parceiros na Missão Redentorista, todos atuantes no Santuário Nossa Senhora do Perpétuo Socorro - Curitiba/PR.
Teve inicio hoje, sexta-feira, o tríduo em louvor a Sto. Afonso Maria de Ligório. O tríduo foi idealizado e está sendo conduzido pelos "Parceiros da Missão".
A EUCARISTIA
Diz-se que a espiritualidade de Santo Afonso gira sobre três momentos chaves na vida de Cristo: a encarnação, a paixão e a eucaristia. Isto é uma descrição verídica se entendemos que não são três momentos distintos e exclusivos. Para Afonso, os três são ligados por uma só verdade: o amor enlouquecido de Deus para nós. Portanto quando Afonso escreve sobre a Eucaristia, ele já está pensando no momento da doação suprema de Cristo na Encarnação e na cruz. O presépio, a cruz, e a ressurreição estão sempre presentes quando ele fala da eucaristia e vice-versa. Na introdução de sua obra sobre a Paixão, Afonso escreve: “Foi por essa finalidade que Você instituiu a Eucaristia para que possamos ter uma lembrança constante de sua Paixão.” Portanto, a Eucaristia é para Afonso um memorial diário do amor de Jesus a nós manifestado pela morte dele na cruz que teve por finalidade que nós amássemos a Ele em troca. Amor exige uma resposta de amor é central na espiritualidade de Afonso. Deus nos ama loucamente na pessoa de seu Filho, e nós, como indivíduos, e como uma comunidade, respondemos amando a Deus de todo nosso coração. Para Afonso, a Eucaristia foi a maneira mais radical de expressar o amor de Deus a nós e de continuar a missão de Cristo para salvar toda a humanidade. A missão do Santíssimo Redentor continua na Eucaristia. Salvação para Afonso significa o processo onde começamos a entender o centro de toda nossa espiritualidade cristã: o amar a Deus e ao próximo (a aliança do batismo). Por isso, a melhor maneira para nos ajudar a cumprir essa espiritualidade é ter a lembrança da presença amorosa de Deus entre nós na Eucaristia. Afonso quis que entendêssemos até que ponto o amor de Deus foi para nos salvar (encarnação -cruz - eucaristia) para que possamos responder com nosso amor vivendo sua vontade em nossas vidas. Por isso a teologia de Afonso é, sobretudo pastoral. Ele quis levar pessoas à ação, que ao respeito da Eucaristia, seria a amar a Jesus Cristo que nos amou primeiro.
A teologia de Santo Afonso sobre a eucaristia se resume em três pontos: o sacrifício - a santa comunhão, e a presença constante de Cristo no Santíssimo. Suas apresentações sobre esses assuntos são tradicionais, porém, a exposição é feita com simplicidade e com a finalidade de mover o coração do leitor para responder para o amor de Deus se revelado nesse sacramento. Por isso Afonso frisa o aspecto de sacrifício universal, isto é, que o sacrifício de Cristo que acontece em cada Missa aboliu todos os sacrifícios antigos, porque é o único e perfeito sacrifício que nos livre da condenação por nossos pecados. Por Cristo e seu sacrifício na cruz, foi restabelecido uma relação de amizade e de fidelidade para com o Pai. Para Afonso, Cristo renova tudo de novo na Missa - todo o ato de redenção - encarnação- cruz- e ressurreição e não simbolicamente mas realmente. O amor de Deus está no centro de cada celebração eucarística. Cristo é sobretudo na Missa o Sacerdote que intercede por nós os pecadores. Ele é sacerdote - vitima - e resgate que nos liberta de nossos pecados e nos reconcilia com seu Pai. Por isso a Missa é uma fonte de graça para toda a Igreja, porque é o próprio Cristo quem intercede por nós por amor no oferecer livremente de sua vida para nos salvar. Afonso diz: “ o nosso amoroso Redentor continuamente no céu está intercedendo por nós, mas isto ele o faz especialmente na Missa quando ele mesmo se apresenta ao Pai por meio do sacerdote.” Afonso luta para que o povo entende bem esses atos incríveis de amor de Deus a nós e por isso nossa resposta não pode ser fria, passiva e indiferente. Ele tem palavras fortes para os sacerdotes que rezam a Missa sem devoção: “ Ofenda a Deus aquele sacerdote que não crê no sacramento da Eucaristia, mas ofende muito mais aquele sacerdote que crê e não lhe dá o devido respeito e, ao mesmo tempo faz com que outros percam a fé por o verem celebrar com pouquíssima reverência.”
O segundo elemento é a comunhão. Devemos lembrar que a heresia de Jansenismo estava em toda parte da Igreja e pregava contra a recepção freqüente da santa comunhão. Ninguém estava digno fora dos “perfeitos”. Afonso defendeu a recepção freqüente da santa comunhão e sofreu muita crítica por isso. Afonso mais uma vez voltou para o ponto central de amor. Deus quer estar perto de seu povo porque o ama. A eucaristia foi instituída por Deus para que Deus podia descer e estar com seu povo num diálogo amoroso. Ele escreveu: “ devemos estar certos de que uma pessoa não pode fazer e nem pensar fazer coisa mais agradável a Jesus Cristo do que comungar com as disposições convenientes a tão grande hóspede, pois esta é a intenção deste apaixonado Senhor” (Prática do amor a Jesus Cristo, p. 22)
E finalmente sobre a presença real. Santo Afonso teve desde sua juventude uma fé profunda em Jesus presente na Eucaristia. Ele ficava horas diante do Santíssimo. Ele mesmo disse que devia sua vocação sacerdotal ao Santíssimo Sacramento. Foi a grande fonte de sua conversão contínua em tentar “continuar Cristo Redentor” no tempo dele. Ele contemplava o ser e o agir desse SS.Redentor na Eucaristia e ficou pouco a pouco “apaixonado” por ele porque descobriu que Cristo primeiro ficou apaixonado por ele nesse sacramento. Por isso publicou seu pequeno livro “ Visitas ao SS. Sacramento” para inflamar outros com o mesmo amor que ele sentiu ao Cristo na presença real e fiel. O sucesso desse pequeno livro está possivelmente na articulação, no conteúdo, mas, sobretudo está na revelação dos sentimentos profundos, amorosos e afetuosos duma alma apaixonada por Deus que foi mais nada do que Afonso mesmo. Como disse G. Cacciatore atento estudioso de Santo Afonso: “Não se lêem sem comoção as suas visitas ao SS. Sacramento, onde ele colocou admiravelmente o mais caro e doce pensamento da Igreja sobre a Eucaristia. Aparece a linguagem de uma pessoa enamorada por Deus e assume os comportamentos mais variados, parte de palavras de um amor confiante para chegar a expressões de um místico”.Afonso apresente Jesus como:
1 - fonte de todos os bens; 2 - o pão de vida; 3 - fonte de graça; 4 - o bom pastor; 5 - o médico das almas; 6 - o nosso melhor amigo; 7 - o dom do Pai; 8 - o hóspede das nossas Igrejas; 9 - fonte de bondade e de misericórdia; 10 - convite à conversão; 12 - companheiro nos sofrimentos. E mais uma vez Afonso foi pastoral. O fim último das visitas é despertar o amor e a amizade verdadeira e fiel para com Jesus Cristo que nos amou primeiro na presépio, na cruz e na eucaristia.
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